terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Onde estão vocês?


A terra, a água, o sol, o ar, as pessoas...
Como podem sem motivos os maltratar
Faltou algo...
Um cantinho pra se morar
E assim que se sentem os aqui ali nasceram, cresceram e até morreram
Cada qual com suas expectativas e esperanças de algo melhor
Dormem e sonham com este bem maior
De um lado as pessoas, de um outro a natureza
Mas quem mais os maltratam é a injustiça, a desigualdade social e a incerteza
Pois a luta é constante e as alegrias passageiras
A natureza pedindo socorro e as pessoas que sejam vistas, pois o mondo em que vivem ninguém se lembra mais.
ELISÂNGELA DO REGO LIMA

Comunidade Porto do Capim



VISITA A PORTO DO CAPIM, EM 04 DE AGOSTO DE 2007

O dia estava agradável, parcialmente nublado, mas agradável, bonito. E nós, como em todos os outros sábados, estávamos lá, fiéis ao nosso curso, na nossa faculdade, com a nossa nova professora; e esta, hum, cheia de idéias, de projetos, com a criatividade à flor da pele. E nós, alunos, seus parceiros e colaboradores em mais uma de suas “artimanhas”.
Lá vamos nós, Porto do Capim nos espera. Era o dia marcado para conhecermos essa comunidade. Nem imaginávamos como seria. Ficamos na expectativa. Comentamos, nos perguntamos, fiscalizamos, mas não tinha como deduzir o que iríamos presenciar. Seria uma aventura? Sei lá! E lá fomos nós. Ao chegarmos nos deparamos com algo novo, talvez não novo, mas diferente do nosso contexto. Olhares curiosos, tímidos, desconfiados, outros um pouco mais ousados. Quem eram aqueles invasores? Talvez pensassem! Mais curiosos do que eles éramos nós, a nossa turma. A professora nos disse para observarmos tudo, conversarmos, nos entrosarmos. Não era uma tarefa muito fácil, mas já que nos dispomos, então seguimos em frente com nosso propósito.
A primeira área a ser visitada foi uma espécie de píer que fica às margens do Rio Sanhauá. Parecíamos até turistas, fotos e tudo mais. Neste lugar tive a oportunidade de conversar com dois homens; esguios, semblantes de quem não teve muitos privilégios na vida, tipo cansados e desanimados, com um pequeno depósito plástico contendo um almoço simples e frio, e como é típico daqueles que tentam se refugiar em algo, uma garrafa de cachaça, que já estava pela metade. Durante a conversa descobri que um era pescador e o outro era vigia de uma pequena ilha do outro lado do Rio.
Seguimos em frente. Entramos numa casa onde nos deparamos com pessoas muito agradáveis e receptivas. Entre elas estava o pequeno Gabriel, de apenas três anos de idade. Que graça! Ele nos levou logo para conhecer o quintal, que por sinal era um pedaço de mangue. Não posso dizer que o ambiente era agradável, mas o Gabriel nos fez sentir turistas sendo guiados por ele. Mostrou-nos pedaços de árvores, buracos de siris, tudo que havia em seu especial quintal. Aquelas pessoas sabiam haviam aprendido a fazer alguns medicamentos naturais, e isso parecia-nos motivo de orgulho para eles. E era mesmo. Esse trabalho era algo a mais para lhes ajudar nas despesas diárias e para torná-los mais úteis.
Bares, bebidas, uma igreja, homens, mulheres, crianças; vidas carentes, pessoas honestas, pessoas não tão honestas, palavrões, situações desconfortantes, olhares, danças esquisitas, mas “danças” para espantar as dificuldades desta vida. Assim é a realidade de muitas comunidades carentes espalhadas pelo nosso Brasil, em contraste com as mansões e palacetes dos dominadores do poder. Aqueles que visitam essas comunidades nos anos de eleições e prometem ajuda, mas depois desaparecem sem deixar nenhum rastro.
Porto do Capim recebeu pessoas que talvez não possa lhe ajudar, mas que certamente ficaram reflexivas, e que se esforçarão para terem uma vida digna de ser vivida, e serem agentes de transformação na vida de outras pessoas. Como pastores de ovelhas, que mostram o caminho, direcionam e ajudam, e que tentam mostrar às suas “ovelhas” o verdadeiro sentido de estar no aprisco da vida!

KEILA VIEIRA DE SOUSA